Cardiograma
Palpite e Diagnóstico. SAC: marinaandradedelima@gmail.com
segunda-feira, 28 de novembro de 2005
Garimpo histórico.
Centro da cidade do Rio de Janeiro.
Todos os fogos o fogo - Julio Cortázar
A teus pés - Ana Cristina Cesar
O mundo dos sexos - Henry Miller
Hotel Atlântico - João Gilberto Noll
Harmada - João Gilberto Noll
Rastros de verão - João Gilberto Noll
História universal da infâmia - Jorge Luis Borges
Breve história do espírito - Sérgio Sant'Anna
O beijo da fera - Salgado Maranhão
O doente Molière - Rubem Fonseca
Cerveja: guia de estilos - Centro Brasileiro de Cultura Cervejeira
Quanto? 80 reais.
Vai lá, ô. Até dia 20 de dezembro, Feira do Livro no Largo da Carioca.
Novos e usados pelos mais de 30 stands. Preços variados - de 0, 99 até muitos dígitos.
Vendedores compreensivos.
Escrito por Marina Andrade 23:48
Bagatela.

Não foi falta de divulgação.
Durante o show dos Stooges, Iggy Pop chamou o festival de merda.
Nação Zumbi simplesmente não deu as caras.
Lama, lama e lama. Claro q é lama.
Ingressos sendo vendidos - nas bilheterias da Cidade do Rock - a 5 reais.
O pessoal que pagou 100 e os estudantes que pagaram 50 não gostaram muito da história...
Estacionamento: 15 reais. Salgaaaaaaado...
Só 5 reais para ver Iggy Pop? Só no Brasil mesmo...
Sorte dos que deixaram para a última hora. Azar de quem levou o evento a sério.
Escrito por Marina Andrade 14:49
Ufa.

A nação agradece.
Escrito por Marina Andrade 05:05
domingo, 27 de novembro de 2005
Presentão.

"Não é mesmo com bons sentimentos que se faz literatura: a vida também não."

Quinta passada entrei em um bazar da Igreja Coração de Maria e perguntei se ali tinha livros. O cidadão responsável apontou para uma caixa - fechada - e disse ter alguns. Abri e achei um exemplar novinho de Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres, editora Nova Fronteira, 16° edição.
Quanto custa? - perguntei. Pode levar. É cortesia da casa. - ele disse.
Quadro: Clarice Lispector por Portinari.
Escrito por Marina Andrade 01:16
sexta-feira, 25 de novembro de 2005
Repúdio.
Foi com total sentimento de asco que terminei de ouvir a indecência a seguir.
Vou transcrever a história narrada.
Cia. Sótão, companhia de teatro liderada por Andrea Cevidanes, foi selecionada para apresentar seu espetáculo no XII Festival de Teatro do Rio, organizado pela Veiga de Almeida, como dito aqui.
Dia 15 de maio de 2002, Andrea foi descoberta. Profissional talentosa, logo foi cobiçada para iniciar aulas de teatro em um colégio de Vila Valqueire. A procura dos alunos foi boa e as aulas começaram. Com o sucesso de algumas apresentações interinas, chegou o momento de tocar o projeto em outro formato: o de uma companhia teatral. Os alunos ganharam outro status: o de atores. Atores amadores, mas que importa?
São atores de teatro. Que ensaiam e aprendem juntos.
Pois bem, a Cia. Sótão teve o seu auge, até então, com a notícia - em cima da hora - da seleção, uma euforia boa com as expectativas acerca da apresentação - público diferente e um festival de grande porte com uma divulgação eficiente (televisão: "Teatro, a gente vê por aqui"; jornais: segundos cadernos; além do tradicional e importantíssimo boca-a-boca).
Ensaios diários, dedicação supraterrestre, orgulho gostoso, mérito de cada um sendo recompensado, paixão pelo teatro, ajustes especiais.
Faixa etária: 18 anos. Deu-se o desespero.
O espetáculo selecionado, todo (bem) encadeado, contava com a participação de 4 atrizes menores de 18 anos. Correria e aflição para obter o aval da justiça. As 4 meninas, vestibulandas!, precisaram da autorização dos pais, fazer teste para alegar que não tinham problemas mentais e tudo o que se possa imaginar. Depois de conseguir a autorização do autor da peça, toda a documentação exigida, e tudo ser encaminhado para o juizado, a Cia. Sótão ainda ficou dependendo da palavra final da juíza responsável pelo caso. Não adiantou contratar advogados, não adiantou exame de cabeça, autorização dos pais, correria, ligações, fax, e-mail, reza... enfim, nada satisfez.
A juíza responsável bateu o martelo proibindo a atuação das 4 atrizes menores às 18:15 do dia 23 de novembro.
A peça começava às 19:00 do dia 23 de novembro.
Com a notícia, a Cia. Sótão optou por fazer a peça na rua, no meio da Av. Rio Branco, a fim de preservar o espetáculo e contar com a participação das menores. Um jurado do festival sugeriu que o espetáculo fosse ali mesmo, no palco, do jeito que pudesse ser. Sugestão acatada, e a mais acertada, sem dúvidas. E em 15 minutos, Andrea, diretora da peça, mirabolou um esquema dentro das limitações e botou a o Sótão no palco desfalcado das quatro atrizes.
Casa lotada. A Cia. Sótão se apresentou como pôde. Com superação, com paixão, respeito ao público, respeito ao teatro, respeito a eles próprios, que tanto se dedicaram, desdobraram-se. Após a apresentação, rolou um debate em que poucos da platéia ficaram e foi dada a palavra para a Cia. Sótão, que só ao fim do espetáculo comunicou a ausência das atrizes. Misto de nobreza e revolta, certamente. Digno de muitas palmas. Muitas. Digno de PROFISSIONAIS.
Mas isso só quem viu pode sentir. E quem atuou, só quem atuou pode falar com alguma proximidade da exatidão.
As palavras não dão conta.
Parabéns pela ousadia, paixão, coragem, união e talento de vocês. Eu ovaciono. Eu me emociono. Como estou emocionada agora.
E o meu mais nojento vômito para a justiça brasileira.
(Lembra os microfones de Chico Buarque e Gilberto Gil mudos.
Ou a juíza nunca ouviu Cálice e Apesar de Você?
Sugiro que gravem um CD com essas duas músicas.
20 faixas só com essas duas músicas e enviem para a dita cuja.)
Escrito por Marina Andrade 00:36
sexta-feira, 18 de novembro de 2005
Festa brilhante - Deus que me perdoe.
Deu dor no coração: quem foi ao lançamento do CD da roda Samba do Trabalhador, no Clube Renascença, dia 14 deste mês faz coro comigo.
Enumero aqui os sete pecados:
1 - Lotação máxima certamente violada. 3.000 pessoas, segundo o jornal O Globo.Obs.: Não dá. Não cabe. Não dá pra sambar. Não dá pra ouvir. Não dá pra conversar.
O resto é conseqüência.2 - Fila ENORME para comprar ingresso.Obs.: Dois bilheteiros não deram conta. Ou agiliza ou faz como na Linha Amarela - um cidadão vendendo diretamente na fila.
3 - Sumiço das mesas.Obs.: Agüentar em pé um samba que dura 7 horas, só sendo atleta. O que não é o caso, certamente.
4 - Sumiço das cervejas em garrafa e dos copos de vidro.Obs.: A venda de latinhas resultou num acúmulo insuportável de lixo no chão, o que torna o mero ato de sambar inviável à beça. E, francamente, cerveja em copo de plástico?
5 - Filas ENORMES para comprar o ticket da cerveja.Obs.: Dois ou três caixas para 3.000 pessoas? Faz-me rir - e esperar.
6 - A cerveja acabou.Obs.: Era 20:00 e a cerveja simplesmente acabou. Colocaram novas no gelo. Não sei para quê, tendo em vista que o samba acaba às 21h. Você esperou gelar? Nem eu.
7 - Brigas.Obs.: Pancadaria, porrada, atrito. Desagradável... Tem segurança, mas não foi o suficiente.
Foi um dia especial, claro. Eu entendo. Entendo até o aumento no ingresso para 5 reais, fato que pegou muita gente de surpresa. Até os ingressos acabaram. O que foi feito? Colocaram o CD como ingresso. O cidadão pagava 15, levava o CD e entrava. Quem pagou 5 e ainda comprou o CD não gostou muito da história...
Não deixe o samba morrer, Moacyr. Porque do jeito que está...
Escrito por Marina Andrade 03:26
Festival de Teatro.
Os amigos vermelhinhos da
Cia. Sótão convidam:
"É com imenso prazer que a Cia. Sótão comunica que foi selecionada para o XII Festival de Teatro do Rio e os convida para assistir ao espetáculo “Melodramas“, da obra de Filipe Miguez, adaptado por Andrea Cevidanes."

O
XII Festival de Teatro do Rio é uma mostra competitiva organizado pela Universidade Veiga de Almeida.
A mostra oficial já está em curso.
Do dia 17 a 23 de novembro, sete cias. selecionadas mostram seus espetáculos.
Dia 25 tem premiação e homenagem a Fernanda Montenegro -
parece que ela estará presente.
Vale lembrar que o público é júri: basta retirar a cédula na bilheteria e votar.
Melodramas:
Dia 23 de novembro.
Às 19:00.
Teatro Glauce Rocha: Av. Rio Branco,179 (em frente à estação de metrô Carioca).
Entrada franca - senhas meia hora antes.
Eu, que já assisti ao espetáculo uma bobagem de umas 4, 5 vezes, recomendo e vou.
Observação inevitável: Lan e suas mulatas cheias de curva. Sempre.
Escrito por Marina Andrade 02:24
domingo, 13 de novembro de 2005
Das Vilas.

"Quando ela falou em trocar de janela pra outra que tinha paisagem tão bela
Eu disse: não troque que eu trago a paisagem um pouco mais pra cá."
Um Samba pra Lili.Luiz Carlos virou "da Vila" por conta de Nei Lopes.
Explicável: nascido em Ramos, mas ilustre morador de Vila da Penha e figura fácil em Vila Isabel.
Luiz Carlos da Vila, representante ativo da poesia guardiã, não tem voz poderosa. E nem precisa ter.
Os sambas já dão conta.
Escrito por Marina Andrade 19:42
"Já não fazem Millôres como antigamente."

O humorista, jornalista e artista plástico Milton Viola Fernandes nasceu em 16 de agosto de 1924 no bairro do Méier, Rio de Janeiro. Em 1941, descobriu que havia sido registrado por engano como 'Millôr' e adotou o nome.
Frasista:
"O cara só é ateu quando está muito bem de saúde"
"O bolero não morrerá enquanto houver um coroa tomando banho de chuveiro frio".
"Tão incompetente quanto o anjo-da-guarda dos Kennedy"
"O melhor movimento feminino continua sendo o dos quadris"
E polêmico: "Machado de Assis é um bobo, mas todo o mundo o coloca no céu. (...) Fica todo o mundo preocupado se a Capitu deu ou não para o Escobar. Ora, é evidente que sim. O livro diz que o filho da Capitu tem a cara do Escobar. Demonstro com evidências que Capitu traiu. (...)
Dom Casmurro é um livro fraco."
Escrito por Marina Andrade 06:54
sexta-feira, 11 de novembro de 2005
De bandeja.
O pessoal da
Edições K, uma editora-cooperativa formada por oito escritores a fim de que seus próprios livros fossem publicados sem o crivo (muitas vezes desonesto) das editoras grandes, escreveu seu agradecimento:

"A Edições K agradece à Kaiser pela propaganda subliminar gratuita.
A cerveja pode ser uma merda, mas gelada a gente só não encara mulher."
Justo...
Escrito por Marina Andrade 05:18
quarta-feira, 9 de novembro de 2005
Renascença Samba Clube.

Meu xodó das segundas, a roda Samba do Trabalhador, virou, além de mania, CD.
Tive o prazer de assistir à gravação, dia atípico - com microfones e caixas de som, agora definitivas devido ao número exagerado de público.
Falo com carinho desse samba. Comecei a ir quando ainda era de graça, tanto mulher quanto homem; chegando às 17h ainda podia encontrar mesa vazia; ainda não era difícil comprar cerveja. Em compensação, os músicos tocam agora com ainda mais paixão. Hoje é moda, sai nos segundos cadernos dos jornais. O que não é mau, porque o mais bonito é o Moacyr Luz, idealizador da coisa toda, visivelmente emocionado.
Regido pelo mestre Rildo Hora e produzido por Moacyr, o CD traz o samba que não toca em rádio e ainda traz Renato Milagres, sobrinho de Zeca Pagodinho. Além de um dos sambas mais bonitos de Luiz Carlos da Vila.
"Em 17 faixas, o álbum é um verdadeiro ‘quem-é-quem’ do melhor samba carioca."
Gravado ao vivo no Clube Renascença (Rua Barão de São Francisco, 54. Vila Isabel.)
, o lançamento será na próxima segunda, dia 14 de novembro - aniversário dessa que vos escreve - no próprio clube. Homens pagam ridículos 3 reais e mulheres pagam - acredite - 1 real. Começa às 14h e vai até às 22h, com merecidas pausas para a cerveja dos músicos não esquentar.
A propósito, a cerveja custa 3,50.
Quem quiser aparecer e me pagar uma cerveja, não vou ficar triste...
Sintam-se convocados.
Escrito por Marina Andrade 02:40
domingo, 6 de novembro de 2005
Formidável.
E quando você pensa que já encontrou tudo possível no Orkut, dá de cara com algumas coisas ótimas. Como por exemplo, a comunidade
Eu declino palavrão, elaborada - porque só elaborando mesmo - por duas alunas de Letras da UFRJ.
A descrição:
Caralius - Caralium -
Caralio
Carali - Caralios - Caralis.
No fórum, a professora de Latim ainda tira
dúvidas.Segue abaixo um trecho.
Aluno pergunta:
- Agora, explique-me o seguinte, como seria "Filho da Puta"? Lupae Filius?
Professora ensina:
- Está correto. Veja. Não é o filho da mãe, da jumenta, da égua, não é qualquer filho: é o FILHO DA PUTA.
DA PUTA ocupa a posição de modificador-caracterizador do núcleo do sintagma nominal - FILHO.
Escrito por Marina Andrade 04:14
Gerador.
"Ultimamente eu estou melhorando. Queria poder ficar doente com você, mas ainda restam muitos egos para ferir. Chame de pecado, chame do que quiser. Remoendo profundamente por dentro. Bem, se fosse eu, era o que eu faria.
Roube-me agora e pra sempre. Eu roubarei algo bom pra você - o criminoso em mim não é ninguém novo - até que você encontre algo melhor, quando não restar nada mais pra ser usado."
Dave Grohl.
Escrito por Marina Andrade 03:28
sábado, 5 de novembro de 2005
Sempre eu hei de ser.

A turma do rebaixamento sabe que tudo é válido.
Juntamente com uns 50 sofredores, eu assisto aos jogos do Flamengo num boteco - que comprou os jogos do Brasileirão - da Rua Constança Barbosa, no Méier.
O cidadão que não leva imagem de santo, leva guia. O que não xinga o árbitro, xinga o Jonatas. Jogador se joga na área, gritam pênalti. Juiz rouba a favor, aplaudem. Diego agarra a bola, neguinho se benze. Flamengo faz gol, sucessão de abraço no flamenguista do lado.
Informação importante: 2,50 a garrafa.
Informação importante II: se é vascaíno, recomendo que passe longe.
Escrito por Marina Andrade 00:55
quarta-feira, 2 de novembro de 2005
Lançamento.
Marcelo Moutinho, que além de organizar a coletânea, também assina um conto, diz e convida:
"A obra reúne narrativas de 16 autores, que tiveram 45 dias para imaginar histórias a partir de pinturas, gravuras e esculturas de alguns dos nossos principais artistas plásticos, do figurativo ao abstrato, do clássico ao contemporâneo.
Meu conto foi inspirado no quadro Tudo é falso e inútil I, do Iberê Camargo, e, além de mim, estão no livro Adriana Lunardi (Pedro Weingartner), Ana Paula Maia (Goeldi), Antônio Mariano (Pedro Américo), Arnaldo Bloch (Gonçalo Ivo), Bianca Ramoneda (Waltércio Caldas), Diana de Hollanda (Isamel Nery), Fabrício Carpinejar (Guignard), Flávio Izhaki (Di Cavalcanti), Ivana Arruda Leite (Pancetti), João Anzanello Carrascoza (Raimundo Cela), João Filho (Rubem Grilo), João Paulo Cuenca (Leonilson), Luciano Trigo (Adriana Varejão), Nelson de Oliveira (Cândido Portinari) e Pedro Süssekind (Milton Dacosta)."
Pela Editora Pinakotheke, o lançamento será dia 8 de Novembro, às 20:00, na Rua São Clemente, 300. Botafogo.
Com esse time de escritores e com essa proposta, só não vai quem já morreu.
Escrito por Marina Andrade 14:53
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