Cardiograma

Palpite e Diagnóstico. SAC: marinaandradedelima@gmail.com

terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

 

Verderosear.

Cartola, Jamelão e Carlos Cachaça.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2006

 

Bebe mesmo... - De outros carnavais.

"Olha! É o Beijinho da Nega-Flor!"

Caramba, como eu ri quando relembrei tal frase.
Trocar Neguinho da Beija-Flor por Beijinho da Nega-Flor é o ápice do divertimento.
Depois de umas cervejas então...
Frase de um amigo, hein?
E deduro logo: um dos componente da Comissão de Frente da Beija-Flor de Nilópolis se estabacou bem na frente dos jurados e, nem vem que não tem, não era parte da coreografia.
Isso pra não falar no pique que os componentes deram no final do desfile para não estourar o tempo.
Veio bonita, mas eu sou mangueirense e deduro mesmo.

 

John & Miles.


Em pleno Carnaval, Coltrane e Davis me encharcam de jazz hoje.
In a sentimental mood, meu saxdoer.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006

 

Na Lapa.

Organizado pela Riotur, o Rio Folia deste ano, dentre outras apresentações, traz um roda de samba a cada dia de evento. No Largo da Lapa, sempre às 0h15, com duas horas de apresentação.

Dia 25, sábado: Xangô da Mangueira, Wilson Moreira, Iracema, Vanderlei Monteiro, Bandeira Brasil, Luis Carlos da Vila, Toninho Gerais e Diogo Nogueira.
Dia 26, domingo: Nelson Sargento, Walter Alfaiate, Ari do Cavaco, Darci da Mangueira, Noca da Portela, Tania Malheiros e Dorina.
Dia 27, segunda: David Correa, Galloti, Baianinho, Chamon, Darcy Maravilha, Marquinho da Pavuna e Serginho Meriti.
Dia 28, terça: Zé Luiz, Monarco, Mauro Diniz, Marquinho Diniz, Marquinho de Oswaldo Cruz, Marcelo Furtado e Roberto Serrão.

Ai, que tristeza...

 

Senhora Fitzgerald.

Uma vez, trancada num quarto de hotel em Paris, Zelda ligou para os bombeiros, e quando eles arrombaram a porta e perguntaram onde era o fogo, ela bateu no próprio peito e disse: “Aqui!”.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

 

Jazz, Gatsby, Suave...

"Há todas as espécies de amor neste mundo, exceto o mesmo amor duas vezes".
"Na noite escura da alma são sempre três horas da manhã, dia após dia."
"E assim prosseguimos, botes contra a corrente, impelidos incessantemente para o passado."
"Uma criatura que (...) era demasiado sensata para conduzir consigo, de uma década para outra, sonhos já quase esquecidos."
"Em algum lugar dentro de mim sempre existirá a pessoa que sou esta noite."
"Esse futuro nos iludira, mas não importava: amanhã correremos mais depressa, estenderemos mais os braços."


Francis Scott Fitzgerald


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

 

Pavor de multidão no Carnaval?

O Globo de ontem apresentou um seus-problemas-acabaram para folião que é folião mas não gosta de empurra-empurra, mão-na-bunda, banho de cerveja, perder celular, pisão no pé, enfim, essas coisas desagradáveis, sob o título: Samba sem (muito) aperto.



Resumindo: fala dos blocos mais abarrotados (Simpatia, Suvaco, Carmelitas, Monobloco) e sugere blocos novos, "ainda não tão muvucados".

Alguns válidos:
Badalo de Santa Teresa - Sexta, às 20h, no Largo das Neves. Carmelitas longe.
Laranjada Samba Clube - Sábado, às 17h, Rua General Glicério, em Laranjeiras.
Cordão do Boitatá - Só Deus sabe. Eles são misteriosos...
Volta, Alice - Segunda, às 15h, Rua das Laranjeiras com Rua Alice. Laranjeiras.
Bagunça meu coreto - Terça, às 16h, Praça São Salvador, em Laranjeiras.

Cuidado, senão em novembro nascem, assim como eu, os frutos dos carnavais.
Mas isso é história pra contar outro dia.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

 

1966 - 2006.

Mas é carnaval. Não me diga mais quem é você. Amanhã tudo volta ao normal, deixe a festa acabar, deixe o barco correr, deixe o dia raiar que hoje eu sou da maneira que você me quer. O que você pedir, eu lhe dou, seja você quem for.
Seja o que Deus quiser.

Que eu quero morrer no seu bloco.
Que eu quero me arder no seu fogo.

Eu sou seresteira, poeta, baterista, não tenho pandeiro, tenho um violão, não tenho um tostão, nasci pra sambar, meu tempo passou, mas não zombo do amor, não.
[Brincar de Chico.]

 

A saber: Flip 2006.

Dia 9 de agosto começa a Flip e o homenageado é Jorge Amado.

Sempre achei formidável o título de um dos livros dele: Tereza Batista cansada de guerra.
Ainda que não tenha lido e a consciência de que nunca vou ler.
E não venha me criticar. Não vou, não vou e não vou.

 

Marina aglomerada.

Conheci Simone Pedro durante a organização um evento literário promovido pelo falecido site Patife e o Aglomerado Terra Plana. Ela, além de tocar o Aglomerado e ser a voz da Mutável Saralho Band, ainda é gente fina, gostou de mim e resolveu me publicar. Século passado fui por ela intimada a escrever alguma coisa sobre o tempo para o site do Aglomerado. Ontem recebi a notícia de que já está no ar e venho compartilhar, até porque divido espaço com um moço baiano chamado João Filho, autor de Encarniçado e muito digno de respeito, mesmo com a revista Veja dando aquela sacaneada nele depois da última Flip. Sujeira da Veja, diga-se passagem.
Ainda publico aqui essa história, por enquanto vai o link. O texto - "Minuteria" - já foi postado aqui.
http://paginas.terra.com.br/educacao/jornalite/terraplana/convidados.htm

Ela admite: "A propósito: se você sofre de miopia, terá um pouco de dificuldade. Ainda estamos em construção... Desculpe a demora!"

Na foto, nós duas. Obviamente, ela em primeiro plano.

 

Coisa chata.


Como admiradora da Orquestra Imperial - seus músicos excelentes e seus bailes ótimos -, faço coro junto a um protesto que rolou no Orkut acerca de um fator chaaaaaato que vem atrapalhando o andamento dos bailes e incomodando não só o público como também os próprios músicos: as Amarantetes. Posso explicar. Vocalista e guitarrista do Los Hermanos, Rodrigo Amarante é crooner da Orquestra e toca qualquer coisa só para constar, até porque todo mundo ali toca qualquer coisa. E, sim, há instrumento para todos. Até meu amado baterista e imperiano Wilson das Neves, que não está na foto acima, aderiu e toca qualquer coisa para depois dar umas canjas: O samba é meu dom e o ainda badalado samba-enredo do Império, é... aquele do Silas de Oliveira, que todo mundo decorou e gosta de mostrar que decorou. Vejam esta maravilha de cenário...
Só que o cenário está ficando chato. Esse boom de Los Hermanos - como já disse aqui, até minha mãe gosta - fez do Amarante um ídolo e verdadeiro mito vivo quase unânime entre os jovens. Os rapazes agora são barbudos como ele e as moças querem levá-lo para cama a qualquer custo porque um homem que afirma preparar um chá de abu pra curar a mulher amada da tosse e do chulé só pode ser bom de cama, discorda? Pfffffff...
Trocando em miúdos, coitado do Amarante. Ele é de fato um excelente músico e tem composições lindas, merece todo respeito e admiração, mas nem ele agüenta mais. Nem eu. Descobriram que ele toca na Orquestra... Em breve ouviremos gritos de Pierrot durantes os bailes.
Confira agora a que ponto a coisa chegou, nas teclas, inclusive, da própria Thalma de Freitas, também crooner da banda.
Márcia Mesquita faz o apelo:
Para as fanzocas do Amarante de plantão 10/02/2006 17:07
Da próxima vez, vcs poderiam parar de jogar coisas no Amarante, que acabam acertando outros membros da OI, ou até mesmo instrumentos. Se vcs vão aos bailes só por causa dele, pelo menos poderiam ter respeito pelos outros músicos e pela galera que vai pq gosta da música e do clima descontraído dos bailes.
Thalma de Freitas agradece:
Obrigada, Marcinha! 11/02/2006 07:54
Realmente "as fanzocas do Amarante" podiam ter mais respeito com a banda e com o próprio Ruivo que está ali cantando lindamente musicas incrivelmente belas!
(Nossa, eu fico muito emocionada quando ele canta"Hora da Razão" e "Sofreguidão"!)...
No último baile tinha uma menina que só queria pegar na mão dele, fazer foto... nem percebeu que tinha um show ótimo acontecendo no palco... eu mesma falei pra ela aproveitar o baile e ir dançar, mas fui ignorada... fazer o quê?! E tem mais: do que conheço do Ruivo ele dá valor e atenção às pessoas que gostam de música como ele e o tratam normalmente, sem afetação.

sábado, 18 de fevereiro de 2006

 

O adeus de cada um. Segunda fase.

1. Artur José de Jesus Tavares Junior.
2. Duplo Twist Carpado e Duplo Twist Esticado.
3. Sofá da minha casa.
4. Uísque.
5. Um pra uma.
6. Cochilos no samba, porque você é rock.
7. Pizzas.
8. "E o prêmio de Melhor Guitarrista do Festival vai para..."
9. Maracanã.
10. Dilúvio.
11. Corridas de arrependimento e bater aqui.
12. Madrugadas conversando.
13. A distorção errada no show.
14. "Você é moleque."
15. "Artur, eu vou te dar uma porrada."
16. Copacabana.
17. "Eu te amo, porra."
18. "Nas palminhas..."

19. Los Hermanos de graça e só pra nós.
20. Por que será? aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa...
21. If everything could ever feel this real forevis.
22. Pessimismo Futebol Clube.
23. Darth Tutu.
24. Hé.
25. Oi naná.
26. Pass-word.
27. Samba-canção Anti-Ramonzator Tabajara.
28. Eu te amo.

Parei no 28, do contrário isso não acaba mais. Nem em ordem consegui colocar.
Não, ele não morreu. Mas ele vai embora pra longe.
E, olha bem aqui, se você não voltar, o 15 entra em ação, compreendido?

28.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

 

O adeus de cada um.


O Caio e essa coisa de mexer nos contos escritos. Conto de o O Ovo Apunhalado, lançado em 1975, mexido e remexido. Li hoje, às 16h. Enquanto tudo partia, não só a avenca.
Um dos contos mais urgentes que já li na vida. Perde seu tempo aqui e será recompensado.

Para uma avenca partindo.

Olha, antes do ônibus partir eu tenho uma porção de coisas pra te dizer, dessas coisas assim que não se dizem costumeiramente, sabe, dessas coisas tão difíceis de serem ditas que geralmente ficam caladas, porque nunca se sabe nem como serão ditas nem como serão ouvidas, compreende? Olha, falta muito pouco tempo, e se eu não te disser agora talvez não diga nunca mais, porque tanto eu como você sentiremos uma falta enorme dessas coisas, e se elas não chegarem a ser ditas nem eu nem você nos sentiremos satisfeitos com tudo que existimos, porque elas não foram existidas completamente, entende, porque as vivemos apenas naquela dimensão em que é permitido viver, não, não é isso que eu quero dizer, não existe uma dimensão permitida e uma outra proibida, indevassável, não me entenda mal, mas é que a gente tem tanto medo de penetrar naquilo que não sabe se terá coragem de viver, no mais fundo, eu quero dizer, é isso mesmo, você está acompanhando meu raciocínio? Falava do mais fundo, desse que existe em você, em mim, em todos esses outros com suas malas, suas bolsas, suas maçãs, não, não sei porque todo mundo compra maçãs antes de viajar, nunca tinha pensado nisso, por favor, não me interrompa, realmente não sei, existem coisas que a gente ainda não pensou, que a gente talvez nunca pense, eu, por exemplo, nunca pensei que houvesse alguma coisa a dizer além de tudo o que já foi dito, ou melhor pensei sim, não, pensar propriamente dito não, mas eu sabia, é verdade que eu sabia, que havia uma outra coisa atrás e além das nossas mãos dadas, dos nossos corpos nus, eu dentro de você, e mesmo atrás dos silêncios, aqueles silêncios saciados, quando a gente descobria alguma coisa pequena para observar, um fio de luz coado pela janela, um latido de cão no meio da noite, você sabe que eu não falaria dessas coisas se não tivesse a certeza de que você sentia o mesmo que eu a respeito dos fios de luz, dos latidos de cães, é, eu não falaria, uma vez eu disse que a nossa diferença fundamental é que você era capaz apenas de viver as superfícies, enquanto eu era capaz de ir ao mais fundo, você riu porque eu dizia que não era cantando desvairadamente até ficar rouca que você ia conseguir saber alguma coisa a respeito de si própria, mas sabe, você tinha razão em rir daquele jeito porque eu também não tinha me dado conta de que enquanto ia dizendo aquelas coisas eu também cantava desvairadamente até ficar rouco, o que eu quero dizer é que nós dois cantamos desvairadamente até agora sem nos darmos contas, é por isso que estou tão rouco assim, não, não é dessa coisa de garganta que falo, é de uma outra de dentro, entende? Por favor, não ria dessa maneira nem fique consultando o relógio o tempo todo, não é preciso, deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente, você não cresceria se eu a mantivesse presa num pequeno vaso, eu compreendi a tempo que você precisava de muito espaço, claro, claro que eu compro uma revista pra você, eu sei, é bom ler durante a viagem, embora eu prefira ficar olhando pela janela e pensando coisas, estas mesmas coisas que estou tentando dizer a você sem conseguir, por favor, me ajuda, senão vai ser muito tarde, daqui a pouco não vai mais ser possível, e se eu não disser tudo não poderei nem dizer e nem fazer mais nada, é preciso que a gente tente de todas as maneiras, é o que estou fazendo, sim, esta é minha última tentativa, olha, é bom você pegar sua passagem, porque você sempre perde tudo nessa sua bolsa, não sei como é que você consegue, é bom você ficar com ela na mão para evitar qualquer atraso, sim, é bom evitar os atrasos, mas agora escuta: eu queria te dizer uma porção de coisas, de uma porção de noites, ou tardes, ou manhãs, não importa a cor, é, a cor, o tempo é só uma questão de cor não é? Por isso não importa, eu queria era te dizer dessas vezes em que eu te deixava e depois saía sozinho, pensando também nas coisas que eu não ia te dizer, porque existem coisas terríveis, eu me perguntava se você era capaz de ouvir, sim, era preciso estar disponível para ouvi-las, disponível em relação a quê? Não sei, não me interrompa agora que estou quase conseguindo, disponível só, não é uma palavra bonita? Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que ama era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? Dolorido-colorido, estou repetindo devagar para que você possa compreender, melhor, claro que eu dou um cigarro pra você, não, ainda não, faltam uns cinco minutos, eu sei que não devia fumar tanto, é eu sei que os meus dentes estão ficando escuros, e essa tosse intolerável, você acha mesmo a minha tosse intolerável? Eu estava dizendo, o que é mesmo que eu estava dizendo? Ah: sabe, entre duas pessoas essas coisas sempre devem ser ditas, o fato de você achar minha tosse intolerável, por exemplo, eu poderia me aprofundar nisso e concluir que você não gosta de mim o suficiente, porque se você gostasse, gostaria também da minha tosse, dos meus dentes escuros, mas não aprofundando não concluo nada, fico só querendo te dizer de como eu te esperava quando a gente marcava qualquer coisa, de como eu olhava o relógio e andava de lá pra cá sem pensar definidamente e nada, mas não, não é isso, eu ainda queria chegar mais perto daquilo que está lá no centro e que um dia destes eu descobri existindo, porque eu nem supunha que existisse, acho que foi o fato de você partir que me fez descobrir tantas coisas, espera um pouco, eu vou te dizer de todas as coisas, é por isso que estou falando, fecha a revista, por favor, olha, se você não prestar muita atenção você não vai conseguir entender nada, sei, sei, eu também gosto muito do Peter Fonda, mas isso agora não tem nenhuma importância, é fundamental que você escute todas as palavras, todas, e não fique tentando descobrir sentidos ocultos por trás do que estou dizendo, sim, eu reconheço que muitas vezes falei por metáforas, e que é chatíssimo falar por metáforas, pelo menos para quem ouve, e depois, você sabe, eu sempre tive essa preocupação idiota de dizer apenas coisas que não ferissem, está bem, eu espero aqui do lado da janela, é melhor mesmo você subir, continuamos conversando enquanto o ônibus não sai, espera, as maçãs ficam comigo, é muito importante, vou dizer tudo numa só frase, você vai ......... ............ ............. ............ .......... ........... ............. ............ ............ ............ ......... ........... ............ ............ sim, eu sei, eu vou escrever, não eu não vou escrever, mas é bom você botar um casaco, está esfriando tanto, depois, na estrada, olha, antes do ônibus partir eu quero te dizer uma porção de coisas, será que vai dar tempo? Escuta, não fecha a janela, está tudo definido aqui dentro, é só uma coisa, espera um pouco mais, depois você arruma as malas e as botas, fica tranqüila, esse velho não vai incomodar você, olha, eu ainda não disse tudo, e a culpa é única e exclusivamente sua, por que você fica sempre me interrompendo e me fazendo suspeitar que você não passa mesmo duma simples avenca? eu preciso de muito silêncio e de muita concentração para dizer todas as coisas que eu tinha pra te dizer, olha, antes de você ir embora eu quero te dizer quê.
Caio Fernando Abreu.

 

Em família.

Mamãe chega em casa com um sacola de supermercado cheia nas mãos e um sorriso cheio na boca. Segue o diálogo:
- Fez compras, mãe.
- Fiz, filha.
- Comprou o quê?
- Duas vodcas e um uísque.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

 

Do pedido.

Perdoem a cara amarrada, perdoem a falta de abraço
Perdoem a falta de espaço, os dias eram assim
Perdoem por tantos perigos, perdoem a falta de abrigo
Perdoem a falta de amigos, os dias eram assim
Perdoem a falta de folhas, perdoem a falta de ar
Perdoem a falta de escolha, os dias eram assim
E quando passarem à limpo, e quando cortarem os laços
E quando soltarem os cintos, façam a festa por mim
Quando lavarem a mágoa, quando lavarem a alma
Quando lavarem a água, lavem os olhos por mim
Quando brotarem as flores, quando crescerem as matas
Quando colherem os frutos digam o gosto pra mim

Aos nossos filhos - Ivan Lins e Vitor Martins.

 

Preciso acordar pra vida. Terceira fase.

A pessoa fica tão maluca que pega o copo de refrigerante, ao invés do saleiro, para temperar a comida. Mas não recomendo, viu?: vai aguar teu feijão.

 

Preciso acordar pra vida. Segunda Fase.

A pessoa fica tão maluca que entra no banho vestindo os óculos. E com a mesma toalha que seca o corpo, seca as lentes. Mas recomendo, viu?: você passa a enxergar melhor.

domingo, 5 de fevereiro de 2006

 

Val.

"Quando eu tinha 8 anos achei o SEXUS na biblioteca da fazenda do meu pai. Lia o livro escondido todas as noite. Achava que era um livro pornô do meu falecido velho e safado avô. Anos depois descobri que era do Henry Miller."
Lara Araújo, uma moça no Orkut.

Henry teria adorado ouvir tal comentário, aposto.

sábado, 4 de fevereiro de 2006

 

Minuteria.

"Junto as duas mãos. Toco meus própios lábios. Seguro poucos pensamentos, apoiados nos cotovelos encardidos.
Uma bailarina rodopia só, uma amante desola em pranto suave, um miserável pernoita, um santo vigia o sono dos corpos, um artista dissimula para olhos, um homem trai a mulher, uma tecladista jorra notas, a desesperançada aborta uma vida, o louco finge sanidade, um poeta treme de inspiração... enquanto isso eu junto as duas mãos.
Uma bailarina pára, uma amante soluça, um miserável se cansa, um santo é requisitado, um artista é aplaudido, um homem goza, uma tecladista cria calos, a desesperançada sorri, o louco finge loucura, um poeta espasma de palavras... enquanto isso eu toco meus próprios lábios.
Uma bailarina descalça, uma amante enxuga os poros, um miserável tomba, um santo se ocupa, um homem acende o cigarro, uma tecladista silencia, a desesperançada gargalha, o louco finge mais nada, um poeta perde a caligrafia... enquanto isso eu seguro poucos pensamentos, apoiados nos cotovelos encardidos."

Marina Andrade.

Tudo em um minuto. Todo e qualquer sumiço, proposital.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006

 

Amigo é coisa pra se guardar...

Ter amigos nesses meios culturais, literários, globais, artísticos, musicais, teatrais e que tais é muito bom.
Ontem recebi a intimação: Odeon gratuito.

E mais: livros gratuitos com dedicatórias, CDs gratuitos com dedicatória, shows gratuitos, sambas gratuitos, comes-e-bebes de lançamentos, teatro de graça e, agora, até cineminha...

Parece que vitalício.

Ô, vidão...

 

Amores brutos - e calmos.

Acho engraçada a diferença de tratamento.
Essa semana passei por dois casos extremos, muito embora a essência seja a mesma.

O calmo:
- Vou me mudar pro Rio. Casar com você. Vou pro Rio, trabalhar muito, comprar uma casa pra gente na Urca. Te raptar. Morar com você. Casar no pé da Urca.

O bruto:
- Aqui, Marina, se tu sumir da minha vida eu vou te meter-lhe a porrada, falou?

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006

 

"Lugar sem comportamento é o coração."

Advogado, fazendeiro e poeta, Manoel de Barros diz que o anonimato foi "por minha culpa mesmo. Sou muito orgulhoso, nunca procurei ninguém, nem freqüentei rodas, nem mandei um bilhete. Uma vez pedi emprego a Carlos Drummond de Andrade no Ministério da Educação e ele anotou o meu nome. Estou esperando até hoje", conta.

Sobre a obra Manoel:
Guimarães Rosa - um "doce de coco".
Antonio Houaiss - "na humildade diante das coisas. (...) Sob a aparência surrealista, a poesia de Manoel de Barros é de uma enorme racionalidade. Suas visões, oníricas num primeiro instante, logo se revelam muito reais, sem fugir a um substrato ético muito profundo. Tenho por sua obra a mais alta admiração e muito amor."
João Antônio - "Tem a força de um estampido em surdina. Carrega a alegria do choro."
Millôr Fernandes - "'única, inaugural, apogeu do chão."
Geraldo Carneiro - "Viva Manoel violer d'amores violador da última flor do Lácio inculta e bela. Desde Guimarães Rosa a nossa língua não se submete a tamanha instabilidade semântica".

"Poeta é um ente que lambe as palavras e depois se alucina."

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